terça-feira, setembro 23, 2008

Escrita de viagens*

Nota Introdutória ou uma carta de marear...
Sobre isto de viajar, devia haver nos boletins de entrada nos países – junto aos quadradinhos de «lazer», «turismo», «contrabando»... – os quadradinhos «unir» e «partilhar». Dito de uma forma mais sentimental: abrir o coração e deixá-lo pensar livremente sobre o que acontece durante a viagem. Antes de Heródoto (o pai dos viajantes da era moderna) viajava-se para fazer guerra ou prolongá-la por outros meios. Hoje viaja-se para pagar (ou esquecer) as guerras por outros meios.
Diz-se também que quanto mais se viaja, mais se acham as pessoas parecidas. Por exemplo, todos, minhotos ou chineses querem ir de férias, e todos secretamente invejam quem leva uma vida como a minha (um equívoco perdoável, pois nem tudo são nenúfares na vida de um viajante). Neste caso, recomendo que se antecipem aos chineses e reservem já os toldos... imagine-se que um cantão decide fazer férias em Bazaruto ou na ilha da Boavista...
Enquanto candidatos a viajantes todos temos um sonho comum que é gozar umas férias merecidas – e que não se use a desculpa da falta de dinheiro, pois há vários vagabundos viajantes de nomeada (Kerouac, Lazarillo de Tormes, Fernão Mendes Pinto, to name a few).
Há depois a parte metafísica, a iniciação. Uma viagem é sempre uma descoberta. Uma peregrinação. Coisa pessoal. E um caderno de viagens, a escrita de viagens, é sempre um palimpsesto. A escrita de artigos ou narrativas de viagem pode abrir caminhos para os exploradores de papel. Diz-se que antes de deixar Palos, em 1492, Cristóvão Colombo estudou a Bíblia e a Geografia de Ptolomeu. Talvez quem vos leia vá um dia a Bazaruto jogar à bola com o menino Reis-Pedro, ou trepar montanhas com Pavel Rajtar, o alpinista eslovaco que escalou o Evereste com Sir Edmund Hillary.

*Com Tiago Salazar

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