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quarta-feira, outubro 17, 2007

Até 14 Novembro - Novo tema CAIS Letras

Até dia 14 de Novembro (Quarta) podem enviar o texto para a CAIS Letras. Lembro as dimensões: mínimo 3000, máximo 4000 caracteres.
E agora o tema: "Natal é todo o ano!"

sexta-feira, outubro 12, 2007

Até Domingo 14 Outubro - CAIS Letras

Até Domingo à noite pode enviar o texto para a CAIS Letras. Lembro o tema: "Quentes e boas". Mínimo 3000, máximo 4000 caracteres. E não precisam ser as castanhas. Vale tudo. Só não vale não escrever.

segunda-feira, outubro 01, 2007

14 Outubro nova data entrega texto CAIS Letras

Só para corrigir: o envio dos textos com o tema "Quentes e boas" para a CAIS Letras deve ser feito até dia 14 de Outubro e não 11 de Novembro como publiquei por engano.
Toca a atiçar as brasas!

sexta-feira, setembro 28, 2007

Próximo tema CAIS LETRAS e texto vencedor Setembro

Quem frequentou o curso aos Sábados o ano passado, lembra-se com certeza do "verde-ratazana". Pois, foi a sua autora, a Patrícia Paisana Martins que ganhou a edição do última texto da CAIS Letras que saírá em breve e que aqui publico em "ante-estreia". Antes que se deixem enebriar pelas sensações do texto que se segue, aproveito para anunciar o próximo tema.
"Quentes e boas" diz a CAIS. Serão as castanhas, claro, mas também tudo aquilo que nos chega com o Outonono. A data limite para o envio do texto é até dia 14 de Outubro. Está lançado o mote!


"Acabaram as férias"
O balde, a pá e as braçadeiras foram arrastadas à força para o armário bafiento do sótão, e o suculento aroma a plástico do meu estojo novinho em folha, já se entornava pela mochila sorridente por se estrear. Rectangular e colorida a vermelho cor de sangue de mosquito, espreitava-lhe pelas cinco ou seis bolsas de tamanhos diferentes. Esconderijos inquietantes pelos quais palpitava perder e depois reencontrar preciosas borrachas meio roídas, quadradinhos de caramelo de fruta derretidos, magrinhos pincéis quase carecas, bolas de futebol de papel quadriculado, bonés coloridos dobrados em quatro partes, berlindes bolachudos e brilhantes como a água da piscina, pauzinhos de gelado outrora lambuzados com a alegria maior do mundo, botões bebé arrancados na fantasia do recreio e metades de bolachinhas esquecidas pela aventura diária na escola. E o regresso é já amanhã.
Será que este ano tenho de dizer o que quero ser? É que não quero ser sério nem sisudo como o professor Raul do ano passado, que nunca lhe vi os dentes, nem um pequeno movimento que pudesse denunciar uma amostra de sorriso. Também não quero ser alguém que grite quando deve sussurrar, e que fale baixinho quando se deve fazer ouvir, como a tia Arminda, que lá na casa da terra me acorda com um berro matinal estendendo os bons dias a toda aldeia. Não quero ser gordinho e rechonchudo, embrulhado num fato e gravata como o vizinho da frente, que chega todos os dias do trabalho com ar de secretária. Quero sim ser voltar do trabalho com roupa fofinha e agradável, como este pijama que tenho agora vestido. Não quero ser como o bigode do meu avô, farfalhudo e afiado, que me pica sempre que deposita um beijo na minha testa. Nem como o tronco do eucalipto da floresta ao pé da minha casa, que foi cortado em fatias como o bolo do meu aniversário. Não quero ser alto como os arranha-céus que vejo nos filmes, nem baixinho como os gnomos de um vale encantado dos meus livros, muito menos ser cara ou coroa como as moedas antigas da colecção do meu pai, ou escolher entre ser amargo como o remédio para a tosse ou doce como o gelado. Não quero nem pensar ser artista do pincel ou das notas musicais, nem mesmo campeão da corrida ou da bola. Muitas vezes, imagino que quando for grande não quero ser nem redondo nem quadrado como as formas geométricas que a professora Lupa ensinou; e também não quero ser sozinho como a vizinha viúva do andar de cima, nem apanhado pela multidão como o meu jogador de futebol preferido. Há manhãs, que quando for grande não quero ser mar alto como as ondas do aquário que enjoam o meu peixinho vermelho, nem rio calmo como o som da viola do meu primo Joaquim que adormece a vizinhança. Em algumas tardes quando for grande não quero ser nem quadriculado nem pautado, como as folhas do meu caderno diário de capa grossa; nem quero ser médico dos doentes como as mezinhas da minha avó.
A meio da noite tenho a certeza que quando for grande não quero ser magrinho e pálido como os fantasmas do meu quarto, nem mesmo ser tão iluminado como a meia-lua de bolacha que me espreita à janela todas as noites. E quando acordo de madrugada para beber um copo de leite porque não consigo dormir, dou por mim a pensar que quando for grande não quero vestir preto claro nem preto escuro, como a escuridão do corredor que vai do meu quarto à cozinha e que me faz correr a sete pés das formas unicelulares e extraterrestres que por lá espreitam.
Quando penso na minha mãe e no meu pai, sinto que quando for grande não quero ser aborrecido e apitar no trânsito ao carrinho da frente, muito menos ser pouco imaginativo e adormecer enterrado no sofá até à hora do jantar. Não quero ter os longos canudos de cabelo da minha mãe, tão louros como as batatas fritas que como no bitoque. Não quero cortar o cabelo em forma de concha e arrepender-me durante alguns meses, como fez o meu pai no barbeiro Antunes. Não quero deitar fumo como aquele que vem do cigarro que fumou o meu irmão, nem cheirar mal da boca como o tom esverdeado da dentadura do carteiro que vai lá a casa todos os dias.
Quando estou na escola e é hora do intervalo não quero ser mais nada do que aquilo que sou naquele momento.
Quando for grande não quero ser uma data de coisas.
Quando for grande não quero ser um adulto que não queira ser nada.

Patrícia Paisana Martins

segunda-feira, agosto 27, 2007

Texto Vencedor CAIS Agosto e novo tema

Segue o texto vencedor da última edição da CAIS Letras.
É de um aluno meu que muito estimo e que assina com as iniciais "msp".
Aproveito para dizer que o próximo tema a ser entregue até dia 16 de Setembro é "O regresso às aulas". Mas pode ser também o primeiro dia de aulas ou qualquer outra ideia que gire em torno das aulas, da escola, do ensino, da aprendizagem...

Boa leitura e boas escritas!

O tecelão de futuros

Sonhava com as férias. Queria ir de férias. Tinha de ir de férias.

Andava irritado, impaciente, de mal com a vida. E as férias pareciam-lhe – e sempre tinham sido, até aí – um retiro de calma e de beatitude.

Aproveitava-as para, serena mas diligentemente, restaurar a pilha de destroços em que, ao longo do ano, o ramerrão de um quotidiano insonso o transformava.

Era um trabalho a um tempo árduo e delicado: rendilhava forças com agulhas de projectos e de sonhos, urdia amanhãs e dias seguintes em teares de desejos e de temperança, forjava planos, ideava soluções.

Cumpria-o, porém, com inefável prazer: de alguma maneira, sentia-se um quase deus a pôr e a dispor de um futuro próximo que, estava certo – pelo menos naqueles momentos – correria conforme os seus planos.

Não obstante, nunca deixara de fazer – longe disso – o que é costume fazer em férias.

Considerava ele que as férias começavam, oficialmente, no momento em que, quase com raiva, enterrava o relógio na gaveta da cómoda, libertando-se do jugo dos horários.

Depois, deixava os dias transcorrerem, preenchendo-os com o que lhe ditasse a imaginação e a bolsa permitisse: a leitura, a praia, as refeições de peixe fresco grelhado, o cinema, as corridas matinais, um ou dois fins-de-semana no Algarve, os jantares com os amigos que dificilmente via durante o resto do ano (e que milagrosamente não estivessem ausentes), a esplanada ao fim do dia ou depois de jantar, a pesca (só em férias se lhe conseguia dedicar), uma ou outra exposição ou peça de teatro, as saídas nocturnas para os bares e discotecas da moda, os pequenos-almoços copiosos e demorados e o descanso (ah! abençoadas sestas!) sucediam-se em combinações diversas que ele delineava equilibradamente e sem esforço, preferindo, contudo, acreditar serem obra do mais puro dos acasos.

Num ou noutro ano – nos de finanças mais pródigas – conseguia fazer uma viagem para fora do país – e, ironia!, lá tinha de voltar a sujeitar-se a horários (assumia esta vicissitude como um contratempo menor...).

Na verdade, porém, o melhor das suas férias era a possibilidade de estar consigo, de voltar a aproximar-se de si próprio. E aproveitava todos os momentos em que não tinha outras solicitações para o fazer. Num ensimesmamento quase monacal, vogava pelos mares, ora calmos, ora procelosos, do seu mundo, em demanda de um eu novo. Primeiro, o balanço: onze meses de vida sensaborona, sem acontecimentos de relevo. Depois, a recolha dos despojos susceptíveis de serem recuperados. Por último, a fase de que mais gostava: a reconstrução. E os que o viam nesses momentos de recolhimento, completamente alheado do que à sua volta se passava, os olhos fitos em nada, tinham opiniões idênticas: – É maluco! Ou: – É um lunático! Ele nem dava por eles. E continuava a sua viagem, tormentosa, muitas vezes, recuperando o que de si parecia aproveitável e reedificando-se como homem.

Por norma, no final das férias, sentia-se como novo, capaz de enfrentar mais um Outono, a chuva, os dias mais curtos, o frio, outro Natal, as esperanças no ano a estrear (que acabavam, invariavelmente, por se esgotar quase de imediato), o aperto financeiro do mês de Janeiro, os primeiros dias de Primavera e o retorno inexorável e violento do anseio pela chegada das férias.

Este ano, porém, algo de diferente se estava a passar. O ano tinha sido como os outros: deprimente, espesso, pesado. Era ele que estava diferente.

O último dia de trabalho chegou, finalmente.

No metropolitano, a ameaça de sorriso que lhe amaciava a expressão era quase insultuosa para com os transeuntes.

Ao chegar a casa, cumpriu o ritual, antes de fazer outra qualquer coisa: com um prazer quase impossível, tirou o relógio do pulso e remeteu-o para a escuridão da gaveta da cómoda.

Depois, descalçou os sapatos e, ainda vestido, estirou-se no sofá; e aí, já oficialmente de férias, tomou a decisão mais importante dos últimos anos: ia fazer férias de si mesmo!

msp

terça-feira, julho 31, 2007

Última chamada CAIS Letras

O prazo para entrega do texto para a próxima revista CAIS a sair em Setembro, foi prolongado até Segunda dia 6 de Agosto de manhã. Até à data recebemos poucos textos (ai, calor, calor que nos entorpece...) pelo que faço um apelo à vossa participação. Volto a lembrar as condicionates:
-tema: férias
- nº caracteres: mínimo 3000, máximo 4000 (com ou sem espaços, como der mais jeito...)
- que escrever seja um prazer!

Fico à espera.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Concurso Revista CAIS

A Cais vai lançar uma nova secção, intitulada “Cais Letras”. Nesta secção, será publicado o melhor texto do mês, seleccionado por um júri nomeado para o efeito e do qual sou parte integrante.

Para a primeira edição renovada, a sair em Abril, a selecção será interna ou seja, feita apenas entre os alunos e ex-alunos dos cursos de Escrita Criativa, Oficina do Conto e Guionismo de NextArt.

Esta lançado o desafio:

Enviem-me um texto inédito de prosa (ficção), com um mínimo de 3000 caracteres e um máximo de 4000 caracteres, até ao próximo dia 5 de Março (fiz um prolongamento para quem quiser aproveitar o fim de semana) , para o meu email: escreverescrever@gmail.com.

Por favor, assinalem os textos com o vosso nome, contacto telefónico, o nome do curso e a data em que o frequentaram.

O melhor texto, seleccionado pela redacção da Cais e por mim, será então publicado na secção "Cais Letras", da edição de Abril.

Vá lá, têm um bocadinho mais de 10 minutos!